SÍNTESE PROTEICA E O GANHO DE MASSA MUSCULAR



Todos nós gostaríamos de mudar alguma coisa em nosso corpo: aumentar um pouco “aqui”, tirar um pouco “ali”... .Quem quer, por exemplo, engrossar a perna, na verdade quer ganhar massa muscular, pois, engrossar a perna enchendo-a de gordura, ninguém quer, não é mesmo? O ganho de massa muscular, a hipertrofia, é um processo onde o nosso corpo, para atender a uma demanda de sobrecarga, se adapta “produzindo” mais músculos. Essa “produção de músculos” depende de um processo chamado síntese proteica.

A síntese proteica ocorre após a sessão de treinamento, durante o período de recuperação. Por isso, o intervalo entre treinos para o mesmo grupo muscular deve ser prescrito corretamente e respeitado para otimizar o aumento da massa muscular. Assim como os programas de treinamento e a prescrição de exercícios são importantes para ganhar músculos, o tempo de descanso também é fundamental.

Existem três caminhos para a produção de proteínas do tecido muscular:

  • mTOR: após o estímulo (treino), o hormônio GH (hormônio do crescimento) é produzido e dá-se início a uma série de reações que chegam até a proteína mTOR, que estimula a síntese de proteína muscular. Essa proteína também pode ser melhor estimulada com a ajuda da ingestão de carboidratos e aminoácidos e também pode ser inibida por substâncias como, por exemplo, o álcool.

  • Calcineurina: formada pela liberação de cálcio, causada pelo exercício. Ela é fracionada por uma enzima e seus produtos também estimulam a síntese de proteínas.

  • Células Satélites: são células epiteliais específicas (ou seja, células que compõem a nossa pele, tecido muscular, tecido dos órgãos) que são estimuladas no reparo e formação do músculo por causa das microlesões causadas pelo treinamento.

A hipertrofia acontece então, dependendo dos estímulos adequados e da formação de tecido muscular. Esses processos também sofrem a influência de inúmeros fatores como a qualidade da alimentação, do sono, dos treinos, o nível de stress físico, estres emocional, de hormônios, etc. A hipertrofia possui um pico máximo, um limite fisiológico. Esse limite é imposto pelo nosso próprio organismo, através da miostatina, portanto, de forma natural.

Em outra postagem, falarei um pouco mais sobre a miostatina

Após falar tanto em hipertrofia, você pode estar se perguntando: por que não conseguimos músculos rapidamente?

A resposta é simples: quando iniciamos um treinamento, as primeiras adaptações do nosso corpo, os primeiros ganhos, são no sistema nervoso, para só depois acontecer as adaptações morfológicas (hipertrofia). Dentre as adaptações neurais (do sistema nervoso), podemos citar: o aumento dos impulsos nervosos que chegam por um neurônio, o aumento do número unidades motoras sendo recrutadas, a melhor coordenação inter e intramuscular e o aumento do limiar dos órgãos tendinosos de golgi (receptores sensoriais que inibem a contração muscular quando há tensão excessiva). Essas adaptações ocorrem nos primeiros dias/semanas de treino. Então, podemos dizer que o ganho de força no primeiro momento se dá por causa das adaptações neurais para só depois, ser resultado da hipertrofia muscular. Essas adaptações também fazem com que seja possível ficar forte sem hipertrofiar mas impossível hipertrofiar sem ficar forte.

Marco Túlio Jr.


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